AMIZADE DENTRO DA IGREJA

 

Pe. José Antonio Pagola.       Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

É a véspera da Sua execução. Jesus celebra a última ceia com os Seus. Acaba de lavar os pés aos Seus discípulos. Judas tomou já a sua trágica decisão, e depois de tomar o último pedaço das mãos de Jesus, partiu para fazer o seu trabalho. Jesus diz em voz alta o que todos sentem: “Meus filhos, resta-Me pouco tempo para estar convosco”.

Fala-lhes com ternura. Quer que fiquem gravados nos seus corações os Seus últimos gestos e palavras: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei, amai-vos também entre vós. O sinal pelo qual vos conhecerão todos que sois Meus discípulos será que os ameis uns aos outros”. Este é o testamento de Jesus.

Jesus fala de um “mandamento novo”. Onde está a novidade? O sinal de amar o próximo está já presente na tradição bíblica. Também filósofos diversos falam de filantropia e de amor a todos os seres humanos. A novidade está na forma de amar própria de Jesus: “amai-vos como Eu vos amei”. Assim se irá difundindo através dos Seus seguidores o Seu estilo de amar.

O primeiro que os discípulos experimentaram é que Jesus os amou como amigos: “Não vos chamo servos… a vós chamei-vos amigos”. Na Igreja temos de nos querer simplesmente como amigos e amigas. E entre amigos cuida da igualdade, da proximidade e do apoio mútuo. Ninguém está acima de ninguém. Nenhum amigo é o Senhor.

Por isso, Jesus corta pela raiz as ambições dos Seus discípulos quando os vê discutir para serem os primeiros. A procura de protagonismos interesseiros rompe a amizade e a comunhão. Jesus recorda-lhes o Seu estilo: “não vim para ser servido mas para servir”. Entre amigos ninguém deve impor-se. Todos têm de estar dispostos a servir y colaborar.

Esta amizade vivida pelos seguidores de Jesus não gera uma comunidade fechada. Pelo contrário, o clima cordial e amável que se vive entre eles predispõem a acolher a quem necessita acolhimento e amizade. Jesus ensinou-os a comer com pecadores e gente excluída e desprezada. Critica-os por afastarem as crianças. Na comunidade de Jesus não estorvam os pequenos mas os grandes.

Um dia, o mesmo Jesus que indicou Pedro como “Pedra” para construir a Sua Igreja, chamou os Doze, colocou uma criança no meio deles, abraçou-o nos Seus braços e disse-lhes: “O que acolhe uma criança como esta em Meu nome, acolhe-me a Mim”. Na Igreja querida por Jesus, os mais pequenos, frágeis e vulneráveis hão de estar no

 

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