Sagrada Família – C

“Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens” (Lc 2,52). O texto de Lucas deixa claro que a encarnação não é umfaz de conta, como pregoaram algumas heresias dos primeiros séculos ou como ainda pensam alguns cristãos. Deixando mais claro: aos doze anos, Jesus era um pré-adolescente que precisava aprender muito sobre a vida. Ele deveria ser educado pelos seus pais até atingir a sua maturidade. É claro que sua maturidade humana era de filho de Deus, o que fazia toda a diferença. Mas como qualquer ser humano, ele precisava crescer.

Todos crescem em estatura, se bem alimentados e em bom estado de saúde. O que mais demanda energia é o crescimento em sabedoria e em graça. Aqui estava o principal papel da família de Nazaré, ou seja, possibilitar que o Deus-Humano pudesse crescer. A Festa da Sagrada Família está situada no Tempo do Natal, exatamente porque a encarnação não foi um pacote pronto vindo do Céu. A família de Jesus ajudou Deus a se encarnar no mundo, na cultura, nas relações, na história de seu povo judeu e, em última análise, na história de todos nós.
Hoje se fala muito do desafio da educação. As gerações são cada vez mais independentes e questionadoras. Valores estes que não podem jamais ofuscar o papel dos pais. Pais e mães tem uma missão: possibilitar que os filhos cresçam em sabedoria e em graça.
Os filhos crescerão em sabedoria na medida em que tenham referências de responsabilidade, que tenham diante de si pessoas que saibam tomar decisões pautadas por valores. Crescerão neste quesito na medida em que forem cobrados, que encontrem limites e exigências. Nenhuma pedagogia educativa poderia se contrapor a tais atitudes.
Os filhos crescerão em graça na medida em que houver abertura para a vida de fé. Esta não é uma escolha da vida adulta, mas uma semente que se planta. Não se trata daquela exigência chata dos pais para que todos frequentem a Igreja no domingo, mas aquele germe de fé plantado desde a infância, carimbada por uma verdadeira espiritualidade dos progenitores, quando estes não tem vergonha de manifestar a sua vida de fé.
Celebrar a Sagrada Família nos abre para uma profunda revisão sobre o modo como estamos educando esta geração. Rezemos para que os pais não sejam omissos e para que os filhos não sejam egoístas. Rezemos para que as famílias não se esqueçam de Deus.
“Tudo podia ser melhor, se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José. E se os filhos parecessem com Jesus de Nazaré. Estou pensando em Deus…” (Pe. Zezinho).
Pe Roberto Nentwig
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