Homens e mulheres de fé: os Santos

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

A celebração da Solenidade de Todos os Santos traz-nos à memória várias dimensões bonitas da fé da Igreja – a nossa fé católica! Recordamos, antes de tudo, o grande Mistério da fé, que é o Deus Santo, em quem nós cremos: “nós vos adoramos e admiramos, porque só vós sois o Santo!” (Oração após a Comunhão).

Nas mitologias das culturas da humanidade, é comum atribuir as qualidades humanas aos “deuses”, que podem ser bons ou maus, irascíveis ou pacíficos, virtuosos ou devassos, bem do jeito do homem, feitos na medida do homem… O que afirmamos do Deus em quem nós cremos é que Ele é o santo e nele não há defeito nem deficiência alguma. Por Jesus Cristo, Filho de Deus, aprendemos a conhecer melhor quem é Deus. Deus é santo.

É por isso que as pessoas santas são “pessoas de Deus” e sua vida está toda orientada para Deus, irradiando as qualidades do Deus santo; elas atraem para Deus. Na recente assembléia do Sínodo dos Bispos, em Roma, sobre “a nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, foi lembrado em diversas ocasiões, inclusive pelo Papa Bento XVI, que os verdadeiros evangelizadores foram e são os Santos; durante a vida eles, deram um testemunho excelso de fé e vida cristã e, de muitos modos, realizaram a obra de Deus; muitos deram um testemunho heróico de sua fé, nas perseguições e incompreensões, até mesmo no martírio. E, após a morte, continuam atraindo as pessoas para o encontro com Deus; sua vida é exemplo e estímulo para os outros e as obras que fundaram continuam, pela história afora, a fazer frutificar seu testemunho de fé em Deus e de vida cristã.

Acima de tudo, os Santos foram cristãos de profunda fé e, por isso, eles podem ser um estímulo para a boa vivência do Ano da Fé. Deles aprendemos que o dom da fé brota do encontro pessoal com Deus e se caracteriza como a capacidade de reconhecermos a Deus como Deus e de tomarmos nosso lugar de criaturas diante de Deus. Mais ainda: a fé faz-nos reconhecer Deus como um pai amoroso e leva-nos a tomar a atitude de filhos muito amados, que querem corresponder em tudo ao amor de Deus e à sua vontade.

A vida dos Santos é profundamente caracterizada pela vivência constante da comunhão com Deus e da sintonia íntima com sua vontade. Eles viviam unidos a Deus e em constante diálogo com Ele; relacionavam-se familiarmente com Deus; a oração, como diálogo simples e constante com Deus, a acolhida amorosa e fiel da Sua Palavra, a serena confiança e alegria eram conseqüências naturais dessa sintonia com Deus. Eles, no entanto, não viviam desinteressados em relação ao próximo e ao mundo. A dedicação aos outros, até à doação da vida inteira pelos  que sofrem ou pelos que não contam aos olhos do mundo, também vinha da grande fé desses homens e mulheres de Deus.

São Bernardo dizia que, ao contemplar a multidão dos bem-aventurados na felicidade do céu, brotavam nele vários sentimentos fortes: um desejo ardente de também estar com eles; uma forte vontade de pedir ajuda a esses irmãos para também alcançar a suprema meta da vida e para chegar lá, onde eles já estão; e um ânimo renovado para ser como eles, imitando suas virtudes e sua fidelidade a Deus.

A vivência do Ano da Fé pode ganhar muito com o conhecimento melhor da vida dos Santos. Nos, que ainda caminhamos na penumbra da fé, mas já amparados pela  comunhão dos Santos, temos muito a aprender deles!

FONTE: CNBB

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