Quanto maiores somos na humildade, tanto mais perto estamos da grandeza

Jesus fala outra vez da sua morte e da sua ressurreição

30 Jesus e os discípulos saíram daquele lugar e continuaram atravessando a Galiléia. Jesus não queria que ninguém soubesse onde ele estava 31 porque estava ensinando os discípulos. Ele lhes dizia:

– O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e eles vão matá-lo; mas três dias depois ele ressuscitará.

32 Eles não entendiam o que Jesus dizia, mas tinham medo de perguntar.

Quem é o mais importante

33 Jesus e os discípulos chegaram à cidade de Cafarnaum. Quando já estavam em casa, Jesus perguntou aos doze discípulos:

– O que é que vocês estavam discutindo no caminho?

34 Mas eles ficaram calados porque no caminho tinham discutido sobre qual deles era o mais importante.

35 Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse:

– Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos.

36 Aí segurou uma criança e a pôs no meio deles. E, abraçando-a, disse aos discípulos:

37 – Aquele que, por ser meu seguidor, receber uma criança como esta, estará também me recebendo. E quem me receber não recebe somente a mim, mas também aquele que me enviou. 

Nova Tradução na Linguagem de hoje (NTLH)

1.LEITURA 

Que diz o texto?

Pistas para leitura

Queridos lectionautas:

O texto deste Domingo tem duas partes bem diferenciadas. A primeira é o segundo anúncio da morte de Jesus, feito pelo próprio Senhor. A segunda parte é uma reflexão que surge em relação a quem é o mais importante.

Depois da cura do epiléptico, Jesus e seus discípulos continuam seu caminho pela região da Galileia. Quer dedicar tempo particular para formar seus discípulos. Este ensinamento concentra-se no que já partilhamos no texto da semana passada: Jesus será entregue nas mãos dos líderes do povo que vão matá-lo, mas ao terceiro dia vai ressuscitar. O que Jesus diz é muito profundo e forte em sua natureza humana. No entanto, os discípulos não logram captar o que o Senhor tencionar comunicar-lhes. Não entendem e não se atrevem a perguntar. Contudo, o mais dramático é que eles estão em outra sintonia com relação ao que Jesus lhes está dizendo. Esta é a segunda parte de nosso relato.

Quando chegam a Cafarnaum, Jesus pergunta-lhes do que falavam no caminho. A vergonha apodera-se deles, a ponto de não poderem responder nada, visto que sua preocupação era saber quem era o mais importante. No mesmo momento em que o Senhor abre a eles o coração e conta-lhes o que vai padecer, eles estão discutindo sobre o grau de importância… Realmente, é patético…

Jesus, porém, não se desespera: senta-se para ensinar novamente; chama os doze e diz-lhes que se alguém quer ser o mais importante, deve aprender a ocupar o último lugar, sendo servidor de todos. Para ratificar seu ensinamento sobre o serviço, realiza um sinal. Traz uma criança à sua presença e diz aos discípulos que se eles aceitam uma criança, aceitam-no a ele, e que se aceitam a ele, aceitam Deus Pai, que o enviou. A criança é absolutamente dependente de seus pais. Este é o modelo de grandeza: ser absolutamente dependente do Pai Eterno dos céus. Jesus “desvia”-lhes o plano para que deixem de falar e discutir por questões secundárias, e se concentrem no que realmente é importante. A “criança” passa a ser o modelo de “grandeza”; o pequeno faz questionar quem quer ser “grande” segundo os critérios do mundo. Os discípulos deverão aprender muito com seu Mestre, a fim de poderem estar à altura da missão que o próprio Senhor lhes vai confiar.

Para levar em conta: em alguns grupos do Judaísmo da época de Jesus, as crianças eram consideradas um tanto “indignas”, porque não podendo “ler e conhecer” a lei, infringiam-na constantemente. Principalmente quanto às questões de pureza ritual: não lavar-se quando era devido, tocar coisas consideradas “impuras”. É curioso e “revolucionário” que, em nosso texto, Jesus “abrace” a criança e a coloque como elemento essencial para quem quer ser realmente grande.

Outros textos bíblicos a serem comparados: Mt 17,22-23; Mt 18,1-5; Lc 9,43-48; Mt 10,40; Sl 8,2; Pr 22,6.

Para continuar o aprofundamento destes temas, pode-se olhar o Índice Temático de A Bíblia de Estudos. Deus fala hoje, o verbete: “Criança”.

Perguntas para a leitura

  • Por onde anda Jesus?
  • Com quem anda novamente?
  • Que fazem no caminho?
  • Estão com muitas pessoas? Por quê?
  • Que ensina Jesus a seus discípulos?
  • Entendem os discípulos o ensinamento de Jesus? Perguntam ao Senhor as coisas que não compreendem?
  • Aonde chegam depois do acontecido?
  • Que lhes pergunta Jesus?
  • Por que não respondem à pergunta do Senhor? Por que têm “vergonha” de falar?
  • Que faz, então, Jesus?
  • Qual é o conteúdo de seu ensinamento?
  • Qual deve ser a atitude de quem quer ser “maior”?
  • Que faz o Senhor? A quem chama e coloca no centro da cena?
  • Que lhes diz, finalmente, Jesus?

 

2 – MEDITAÇÃO

O que me diz? O que nos diz?

Perguntas para a meditação

  • Deixo que Jesus caminhe comigo? Acompanho-o em seu caminho e me deixo guiar por ele em meus caminhos?
  • “Retiro”-me com Jesus, sozinho, para que me ensine sua Palavra?
  • Sinto-me privilegiado por ser seu discípulo, sabendo que sempre me dedica um tempo especial para escutar-me e ensinar-me?
  • Que me ensina Jesus, hoje? O que me pode estar dizendo de maneira particular, segundo as situações de vida que estou atravessando?
  • Como aceito a afirmação de que “o Filho do Homem será entregue o matarão”?
  • Integro em minha vida a realidade de que a salvação passa pela morte de Jesus na cruz e pela ressurreição?
  • Entendo, para minha própria vida, que para chegar à ressurreição, é preciso passar pela cruz e pela morte?
  • Custa-me compreender os desígnios de Deus para minha própria vida?
  • Aceito a vontade de Deus? Em que aspectos resulta-me mais fácil, e em quais me custa mais?
  • De que coisas “falo” no caminho da vida com meus familiares e amigos? Quais são as preocupações que mais monopolizam meus pensamentos e conversações?
  • Tenho em minha mente preocupações muito secundárias ou inúteis?
  • Estou preocupado em relação a quem é “maior”, ou seja, quem se destaca mais ou é mais valorizado em minha família, em meu grupo e em meu ambiente?
  • Esta preocupação por estar olhando sempre quem é o maior: leva-me a situações de inveja, ciúmes e rivalidades desmedidas?
  • Que efeitos produzem em mim, hoje, as palavras do Senhor: “Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos”?
  • Deixo que Jesus me instrua no caminho da correta humildade?
  • Que implicações tem para mim ser “servidor” de meus irmãos?
  • Quero ter seriamente um “coração de criança” para entregar-me sempre nos braços fortes e seguros do Pai eterno dos Céus?
  • Aceito Jesus como o Enviado do Pai que vem à minha vida para dar-me salvação?

3 – ORAÇÃO

O que lhe digo? O que lhe dizemos?

A última parte do texto nos convida a buscar o último lugar. Isto é, com outras palavras, “humildade”. Por isso, propomos, para a oração, utilizar uma frase-definição de humildade que nos oferece Santa Teresa de Jesus (1515-1582, religiosa e mística espanhola). Ela diz:

“Humildade é andar na verdade”.

Levemos em conta esta concisa e clara descrição da humildade para poder orar com o texto. A autêntica humildade não é “calar-se e esconder-se”, mas tem a ver com “andar na verdade”.

4 – CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Para contemplar todo o mistério da revelação de Deus no texto deste Domingo, propomos tomar o versículo 2 do Salmo 8, que nos faz entrar na dinâmica da reflexão que fazemos como crianças:

  • 2 (3) E é cantado pelas crianças

e pelas criancinhas de colo.

Tu construíste uma fortaleza

para te proteger dos teus inimigos,

para acabar com todos os que te desafiam.

Percebamos como se contrasta a realidade das “crianças” e das “criancinhas de colo” com a dos “inimigos” e “todos os que te desafiam”.

5 – AÇÃO

A que me comprometo? A que nos comprometemos?

Proposta pessoal

  • Buscar, de maneira concreta e imediata, a possibilidade de viver algum tipo de serviço para com os irmãos. Pode ser algo “novo” ou talvez melhor; realizá-lo no próprio ambiente de vida. Fazê-lo em silêncio e com alegria interior…

Proposta comunitária

  • Dialogar com seu grupo de jovens com estas frases sobre a humildade. Que lhes parece cada uma? Em que estão de acordo e em que, talvez, não? Conhecem outras frases ou “definições” de humildade?
  1. Humildes são aqueles que reconhecem que a verdade é comum a todos (Santo Agustinho).
  2. Quando não há humildade, as pessoas se degradam (Agatha Christie).
  3. Os rios mais profundos são sempre os mais silenciosos(Quinto Curcio).
  4. O orgulho divide a humanidade, a humildade une-a (J. B. Lacordaire).
  5. Quanto maiores somos na humildade, tanto mais perto estamos da grandeza (R. Tagore).
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