Natal: uma nova forma de olhar para a condição humana

Campanha para a Evangelização 2011 – Ele veio curar nossos males –  Algumas considerações sobre a condição humana (1)

  1. Falar sobre o ser humano não é uma tarefa fácil, principalmente quando se trata de uma abordagem que tenha como foco principal a fragilidade humana e os males decorrentes desta fragilidade. De fato, até mesmo a realidade da morte encontra explicações satisfatórias quando analisamos o ser humano a partir da sua natureza, mas a realidade do sofrimento parece ser, em si mesma, absurda! Como explicar a carência e a dor em si mesmas como sendo um caminho para o crescimento rumo à perfeição humana? Mas não podemos negar que o sofrimento faz parte da condição humana e devemos refletir seriamente sobre este assunto.
  2. Nós temos diferentes tipos de sofrimento. O primeiro tipo é o físico. Este tipo de sofrimento pode ter várias causas, algumas ligadas ao próprio corpo, como indisposições, mal funcionamento do organismo e processos degenerativos. Outras causas são externas ao corpo, como agentes causadores das doenças alérgicas, inflamatórias ou infecciosas, carências que geram fome, sede ou frio, intoxicações em geral causadas por alimentação, inalação ou contato com substâncias nocivas à saúde, ou também as que encontram sua origem em traumatismos e mutilações decorrentes de acidentes ou da violência em geral.
  3. Outro tipo de sofrimento é o afetivo, que também pode ter diversas causas como sentimento não correspondido e rompimento de relações que podem ser decorrentes de conflitos, mudanças nas condições de vida, crises sociais ou até mesmo pela morte.
  4. Existe o sofrimento psicológico, que pode ser causado por traumas, situações de sofrimento e pela violência estrutural, que é fundamentada na discriminação com o objetivo de negar direitos. Essas situações geram ansiedade, depressão, pânico, neuroses e psicoses.
  5. Por fim, existe o sofrimento moral, que está vinculado aos erros que cometemos, sejam culposos ou dolosos. Este tipo de sofrimento se manifesta no arrependimento.
  6. Muitas causas dos sofrimentos são naturais. Algumas são inerentes à condição humana como as resultantes do processo de envelhecimento que tem o seu início por volta dos 30 anos de idade, quando começa o processo de perda de massa muscular, e vai se aprofundar com as mudanças hormonais por ocasião da andropausa ou menopausa. Outras causas naturais estão relacionadas com o ambiente em geral, como as grandes catástrofes causadas por vulcões, terremotos e maremotos.
  7. Outras causas dos diferentes tipos de sofrimentos estão relacionadas com a ação humana. Geralmente, quando isso acontece, encontramos a realidade do pecado, mesmo que não seja fácil perceber a sua presença ou identificar a sua natureza. Assim, temos a violência em geral, os males causados pelo processo de exclusão social decorrente de modelos econômicos, as doenças causadas pela falta de saneamento básico ou pela negligência de políticas públicas ligadas à educação e à saúde, as doenças sexualmente transmissíveis, ou ainda, como pudemos refletir na Campanha da Fraternidade de 2011, as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global em grande parte causado pela ação humana.
  8. O sofrimento é sempre um sinal de que algo não vai bem e, por isso, a vida é de algum modo ameaçada. Por isso, ele é sempre um alerta de que providências devem ser tomadas para a superação de um problema ou para evitar o seu agravamento, quando isso é possível. Caso contrário, são necessárias medidas paliativas que, embora não contribuam para a superação do problema ou para evitar o seu agravamento, contribuem para aliviar o sofrimento em si. Assim, a dor ou a disfunção nos revela a necessidade de um determinado tratamento de saúde que, na maioria das vezes, nos possibilita a cura de um determinado mal. Caso a dor não existisse e o mal não fosse percebido, ele poderia evoluir para quadros mais graves podendo, inclusive, chegar a óbito.
  9. Como boa parte do sofrimento encontra sua raiz no pecado, outro caminho necessário para a sua superação é a ação evangelizadora da Igreja, tendo em vista a formação da consciência que possibilite a conversão e também a construção de um itinerário formativo, espiritual e solidário que viabilize um processo no qual a conversão venha a se concretizar.
  10. Assim, o sofrimento em geral deixa de ser simplesmente uma expressão de fragilidade e imperfeição para tornar-se causa de um processo de humanização, de superação, de possibilidade de novos relacionamentos e de construção de uma vida melhor, com um significado novo. Este significado só pode ser entendido a partir da fé em Deus e na proposta do Evangelho de seu Filho e nosso irmão Jesus. Segundo esta proposta, o amor faz com que os relacionamentos se fortaleçam e se santifiquem, fortalecendo a pessoa, aperfeiçoando as suas condições de vida em geral e superando, a partir do protagonismo decorrente do amor afetivo e efetivo, toda forma de sofrimento que tenha como causa as situações decorrentes da cultura da morte gerada pelo pecado e que acentuam cada vez mais a fragilidade humana, que só pode ser fortalecida no amor e na solidariedade.
  11. O Natal nos ilumina para que tenhamos uma nova forma de olhar para a condição humana. A vinda de Jesus ao mundo, unindo as coisas da terra às coisas do céu nos possibilita uma compreensão mais profunda sobre a nossa natureza e os motivos pelos quais nós existimos e, por isso, somos convidados a ver, à luz da fé, todos os elementos que marcam a condição humana.

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