Jesus assume em tudo a condição humana

Campanha para a Evangelização 2011 – Ele veio curar nossos males (2)

Celebrar o Natal é celebrar o mistério da Encarnação do Filho de Deus, é fazer memória do fato de que “a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14) para ser o Emanuel, o Deus-conosco (cf. Mt 1, 22-23).

  1. Esses fatos nos mostram diferentes aspectos da condição humana de Jesus. Ele convivia com todas as pessoas, sem nenhum tipo de discriminação ou de exclusão. Convivia com os fariseus, como é o caso do chefe Nicodemos (cf. J0 3, 1-36) e come com eles, como na casa de Simão, quando Jesus perdoa a pecadora pública (cf. Lc 7, 36-50),  é chamado de comilão e beberrão, amigo dos pecadores e dos cobradores de impostos (cf. Mt 11, 19; Lc 15, 1-2).
  2. Jesus tem um grupo de amigos que chama de apóstolos e uma proximidade maior com Pedro, Tiago e João (cf. Mt 17, 1s; Mc 1, 29s; 5, 37s; 9, 2s; 14, 32s; Lc 5, 10s; 8, 51s; 9, 28s), convive com a família de Lázaro, Maria e Marta (cf. Lc 10, 38s; Jo 11, 1-44; 12, 1-11), é amigo de Maria Madalena (cf. Mt 27, 56-61; 28, 1-8; Mc 15, 40-47; 15, 1-19; Lc 8, 1-3; 24, 1-12; Jo 19, 25-27; 20, 1-2.11-18).
  3. Jesus também tem sentimentos como qualquer pessoa humana. Jesus tem fome, como vemos na primeira tentação e na passagem da figueira estéril (cf. Mt 4, 2; 21, 18; Mc 11, 12; Lc 4, 2), sede , como vemos na conversa com a samaritana e no alto da cruz (cf. Jo 4, 7-8; 19, 28 ), compaixão, como vemos diante das necessidades da multidão ou do sofrimento daqueles que encontra pelo caminho, (cf. Mt 9, 35; 14, 14; 15, 32; 20, 34; Mc 1, 41; 6, 34; 8, 2; Lc 7, 13), tristeza diante da dureza de coração dos judeus ou diante da morte, (cf. Mt 26, 37; Mc 3, 5; 14, 19 ), se comove diante das irmãs de Lázaro que havia morrido (cf. Jo 11, 33) e chora a sua morte, assim como chora sobre Jerusalém, que não aceitou seu convite do Reino e não se converteu (cf. Lc 19, 41; Jo 11, 35), se alegra pela revelação aos pequeninos e quer que todos participem da sua alegria (cf. Lc 10, 21; Jo 15, 11; 17, 13) e se angustia diante da realidade da cruz que se aproxima (cf. Mt 26, 37).
  4. Todas essas características da vida de Jesus nos mostram que a Encarnação não foi apenas mera simulação ou aparência, mas foi real. Na Encarnação, o Onipotente precisou ser amamentado, alimentado e cuidado para não morrer de fome ou de frio, para que pudesse crescer e ser sadio. O Onisciente precisou aprender a andar, a falar e a adquirir todos os conhecimentos necessários tanto para sua participação na sociedade judaica como para o exercício do seu ministério.
  5. Quando o Verbo assume a condição humana, ele assume também a fragilidade humana. São João, no Prólogo do seu Evangelho, nos diz : “A Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14). O termo “carne” utilizado por São João foi o grego sarx, que significa fragilidade, sendo que esta é fruto da condição humana marcada pelo pecado[1].
  6. Celebrar o Natal não é simplesmente celebrar o Deus que vem até nós e se faz presente na nossa vida. É celebrar o Deus que se fez um de nós e que, mesmo não conhecendo a realidade do pecado pessoal, assumiu a nossa condição de pecadores para destruir na cruz essa condição conforme nos ensina São Paulo: “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, tornando-se ele próprio um maldito em nosso favor, pois está escrito: ‘Maldito todo aquele que for suspenso no madeiro’” (Gl 3, 13). Celebrar o Natal é celebrar o Deus que assume em tudo a condição humana, até mesmo na sua maior miséria, para que todos nós pudéssemos ser divinizados.
  7. Ao assumir a condição humana, Jesus necessariamente assume todas as formas de dores e sofrimentos que marcam a nossa existência. Assim, somos convidados para, iluminados pelo mistério da Encarnação, analisar as atitudes de Jesus em relação ao sofrimento humano, seja no que diz respeito ao sofrimento do próximo, seja no que diz respeito ao seu próprio sofrimento.


[1] Para uma melhor compreensão desta questão, sugerimos a leitura da seguinte obra:    RUBIO, A. G. O encontro com Jesus Cristo vivo. São Paulo: Paulinas, 2001.

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